Vejam só a raridade que o colega Hamilton Caio envia: uma foto de um churrasco da turma do 3o Científico, em dezembro de 1964, no Bosque, onde aparecem, além dos colegas da turma dele, quase todos identificados, o professor Avancini, (no churrasco, mas de terno e gravata...), Don José Gomes, primeiro Bispo de Bagé, que foi, segundo a tradição da época, o "paraninfo religioso" da turma, além do professor Guido Moraes, com seu violão. Num texto bem emotivo, Hamilton relembra fatos memoriais muito importantes, como as provas orais e o ensino de quatro línguas para a gurizada do velho Estadual...Que tempos, heim?
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Pela ordem, da direita p a esquerda, em pé: Rubem Martinez Cuña (orador de despedida), de óculos; Estênio Seoane, usando na cintura a faca do churrasco; Osmar D. Urdangarin, de óculos; Hamilton Caio Vaz; Favorino Gonçalves do Couto, de óculos; Nelson Grivicich Netto; um colega pouco visível, não identificado; D. José Gomes, primeiro Bispo de Bagé e Paraninfo religioso; Danilo Cunha Silveira; Claudio da Silva Ricalde; Prof Guido de Jesus Machado Morais, o paraninfo civil, com violão; Armando Corrêa Pacheco, parcialmente encoberto pelo violão; um colega de outra turma que não lembro o nome; Prof José Albino Avancini (diretor), de óculos; Nilva Barreto Moreira; outro não identificado, atrás da Nilva; José Carlos M. Marques, parcialmente encoberto; Lorival Octávio Ribeiro, de óculos; Dea Mariza Alves Branco; Luiz Carlos Nunes. Agachados, na mesma ordem: Édison Uwe B. Zahler, Lulo José Pires Corrêa e Emilio Wagner Kourrouski.
E, como dá para ver, a cerveja esteve bem presente.
Estudar no Estadual, nos anos 50 e 60, era, na realidade, fazer um curso de sete anos. Depois de ter passado no Concurso de Admissão ao Ginário, o equivalente a um vestibular, com o mesmo nervosismo, expectativa e a aura que envolve este, mas com a agravante de quem só tinha onze ou doze anos, enfrentava-se quatro anos de ginásio e três anos de científico ou clássico, de modo contínuo, portanto, perfazendo os sete anos. O impacto do rítmo do novo curso, para nós, saindo do curso primário, era muito grande. Eram várias disciplinas, cada uma com um professor; a novidade do estudo simultâneo de três linguas (incluindo o latim, uma lingua morta), além do português (o Espanhol, como a quarta lingua estrangeira, só entraria no Científico ou Clássico); muitas provas; prova final escrita e oral, esta com banca de examinadores, sendo mais de um examinador para cada matéria. O "ponto" (assunto) era sorteado na hora pelo próprio aluno.
Os churrascos, picnics, cock-tails, festas e bailes, além do cinema, eram a saída natural para desanuviar e relaxar. E, como é normal, os churrascos no Bosque eram uma grande diversão. Além do próprio churrasco, com tudo que envolve a sua organização, havia muita conversa, muitas histórias e até artistas, como o Prof Guido Morais, cantando e tocando violão. Um de seus hits era a música "Al di lá" , acompanhada com violão, grande sucesso dos famosos festivais de San Remo, dos anos 60, já no final da Era Romântica do Estadual. Depois o professor Guido tomaria uma vertente regionalista.
Esses churrascos, em fim de ano ou curso, eram muito frequentes. Os professores, também, gostavam de participar. Nem o nosso estimado Frei Plácido deixava de ceder a essa tentação "gastronômica-social-festiva". O Bosque, famoso e formoso, do Estadual, era um dos locais preferidos para isso. Os picnics, cock-tails, festas e bailes costumavam ser em locais externos ao colégio. Só as festinhas eram mais realizadas nas dependências do Estadual, até na própria sala de aula. As vezes, os professores paraninfos ofereciam cock-tails em suas casas e os colegas, quase sempre, levavam irmãs(ãos) ou namoradas(os). Aí, era uma festa! Muitas vezes "dava namoro"! E havia os bailes !
Os churrascos e outras festas de final de Científico eram os mais marcantes, pois culminavam com o fim de um longo ciclo de estudos, maior que de uma faculdade. A turma estava às vésperas de se dispersar radialmente. Os colegas, finalmente, iriam tomar as mais variadas direções, na busca da formação profissional.
Passados quarenta e cinco anos, vem a tentação de fazermos aquela conhecida pergunta ou exclamação nostálgica:
Será que éramos felizes e não sabíamos?
Ah... se pudéssemos voltar no tempo!
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Enviado pelo colega
Hamilton Caio
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