2 de março de 2026

Meu Nostradamus

Photo Vaz



Luiz Carlos Vaz (*)

 

            Naquela última manhã de fevereiro eu acordei cedo, e isso atualmente é normal. Mas as primeiras notícias davam conta que havia iniciado um confronto armado, onde dois países atacavam outro, e esse outro, revidando, atacava vários outros que ficavam dentro de sua área de ação rápida; menos um daqueles dois, pois ele ficava em outro continente... Que esforço para não citar nomes, hein?

 

            Para constar, e só para constar, vivemos “sem guerra” desde a rendição dos nazistas em Berlim aos soldados russos, em 2 de maio de 1945, que marcou o fim da chamada segunda Guerra Mundial na Europa; quatro meses depois, a consequente assinatura do Acordo de Rendição aos Aliados, dia 2 de setembro de 1945, pelo imperador japonês, deu por finalizada a tal segunda guerra. O imperador assinou a rendição a bordo do couraçado americano USS Missouri, que estava fora do território do Japão, ancorado na Baía de Tóquio. Humilhação total, pois aquele enorme navio para onde foi conduzido o Imperador, e lá pisou para assinar o papel, era solo ianque.

 

            Sempre tivemos muitos conflitos “regionalizados”, se podemos usar esse termo num planeta tão grande. A indústria de armas e munições gera emprego e renda, diria um capitalista da gema. Mas a reconstrução de estradas, de aeroportos, de indústrias, de hospitais e até de escolas infantis bombardeadas, também rende muita grana, dirá um líder desse setor. Uma mão lava a outra (com sangue), digo eu. Coreia, Vietnam, Baía dos Porcos... são algumas dessas disputas pós segunda guerra, só para citar os que renderam mais filmes - que também geram emprego, renda e plateias lotadas.

 

            Os constantes bombardeios na Palestina ao longo de décadas, inexplicados pela ONU, são um caso à parte. Pode até ser uma disputa político-religiosa milenar. Tudo bem, mas o que se assiste lá todo dia é genocídio puro...

 

            Mas, voltemos ao 28 de fevereiro...

 

            Naquela manhã Eu acordei tarde, de bode com tudo que sei acendi uma vela abri as redes (anti) sociais e pasmei! Só se falava em outra coisa... estávamos (novamente) em guerra, só que uma bem grande, já sendo chamada inclusive de “Terceira”, envolvendo vários países; não era mais um conflito regional, como temos sempre há muitas décadas. Havia bombardeios em série, feito por dois países – um deles bem distante dali - contra outro, de forma combinada, com hora marcada e tudo mais. O país agredido respondia, bombardeando a nação vizinha, aliada da outra distante, e outros reinados e repúblicas da volta que estivessem ao alcance de seu poder bélico. Como diria o saudoso Tim, valia tudo, só não podia homem matar homem e mulher matar mulher. Hoje, já no terceiro dia... acho que já vale matar tudo e todes.

 

            Mas no domingo me dei uma trégua e fui ao Mercado, precisava encontrar uns amigos que estavam de passo! Foi muita conversa, muita fofoca, muitas recordações, com direito a café, jornais de ontem, de hoje e um que era para “amanhã”, mas já estava lá! Não faltaram livros, autógrafos, promessas de ir a Jaguarão em breve e, na saída (conversamos mais de duas horas!) ainda curtimos um bom samba no Largo do Mercado. Ali não havia drones, nem bombas, nem mísseis e nem tiros (não se usa mais “dar tiros” nas guerras, né?)... só havia um cantor que, com boa voz, alertava:

 

Photo Vaz

            Quem cultiva a semente do amor

            Segue em frente não se apavora

            Se na vida encontrar dissabor

            Vai saber esperar sua hora...

 

            ...desejei depois de ouvir o Tá escrito, confesso, ir logo para casa, encontrar Carlota, a cozinheira, viva, diante do meu pé, e dizer a ela:

 

            Levantaaaa

            Me serve um caféééé

            Que o mundo (ainda) não acabou!

_________________

(*) Luiz Carlos Vaz é Jornalista, Fotógrafo, Escritor e Editor deste Blog

Nenhum comentário: