| Photo Vaz |
Luiz Carlos Vaz (*)
Naquela última manhã de fevereiro eu
acordei cedo, e isso atualmente é normal. Mas as primeiras notícias davam conta
que havia iniciado um confronto armado, onde dois países atacavam outro, e esse
outro, revidando, atacava vários outros que ficavam dentro de sua área de ação
rápida; menos um daqueles dois, pois ele ficava em outro continente... Que
esforço para não citar nomes, hein?
Para constar, e só para constar,
vivemos “sem guerra” desde a rendição dos nazistas em Berlim aos soldados
russos, em 2 de maio de 1945, que marcou o fim da chamada segunda Guerra Mundial
na Europa; quatro meses depois, a consequente assinatura do Acordo de Rendição
aos Aliados, dia 2 de setembro de 1945, pelo imperador japonês, deu por finalizada
a tal segunda guerra. O imperador assinou a rendição a bordo do couraçado
americano USS Missouri, que estava
fora do território do Japão, ancorado na Baía de Tóquio. Humilhação total, pois
aquele enorme navio para onde foi conduzido o Imperador, e lá pisou para
assinar o papel, era solo ianque.
Sempre tivemos muitos conflitos
“regionalizados”, se podemos usar esse termo num planeta tão grande. A indústria
de armas e munições gera emprego e renda,
diria um capitalista da gema. Mas a reconstrução de estradas, de aeroportos, de
indústrias, de hospitais e até de escolas infantis bombardeadas, também rende
muita grana, dirá um líder desse setor. Uma mão lava a outra (com sangue), digo
eu. Coreia, Vietnam, Baía dos Porcos... são algumas dessas disputas pós segunda
guerra, só para citar os que renderam mais filmes - que também geram emprego,
renda e plateias lotadas.
Os constantes bombardeios na
Palestina ao longo de décadas, inexplicados pela ONU, são um caso à parte. Pode
até ser uma disputa político-religiosa milenar. Tudo bem, mas o que se assiste lá
todo dia é genocídio puro...
Mas, voltemos ao 28 de fevereiro...
Naquela
manhã Eu acordei tarde, de bode com tudo que sei acendi uma vela abri as
redes (anti) sociais e pasmei! Só se
falava em outra coisa... estávamos (novamente) em guerra, só que uma bem
grande, já sendo chamada inclusive de “Terceira”, envolvendo vários países; não
era mais um conflito regional, como temos sempre há muitas décadas. Havia bombardeios
em série, feito por dois países – um deles bem distante dali - contra outro, de
forma combinada, com hora marcada e tudo mais. O país agredido respondia,
bombardeando a nação vizinha, aliada da outra distante, e outros reinados e
repúblicas da volta que estivessem ao alcance de seu poder bélico. Como diria o
saudoso Tim, valia tudo, só não podia homem matar homem e mulher matar mulher.
Hoje, já no terceiro dia... acho que já vale matar tudo e todes.
Mas no domingo me dei uma trégua e fui
ao Mercado, precisava encontrar uns amigos que estavam de passo! Foi muita conversa, muita fofoca, muitas recordações, com
direito a café, jornais de ontem, de hoje e um que era para “amanhã”, mas já
estava lá! Não faltaram livros, autógrafos, promessas de ir a Jaguarão em breve e, na saída (conversamos mais de duas
horas!) ainda curtimos um bom samba no Largo do Mercado. Ali não havia drones, nem
bombas, nem mísseis e nem tiros (não se usa mais “dar tiros” nas guerras,
né?)... só havia um cantor que, com boa voz, alertava:
| Photo Vaz |
Quem
cultiva a semente do amor
Segue
em frente não se apavora
Se
na vida encontrar dissabor
Vai
saber esperar sua hora...
...desejei depois de ouvir o Tá escrito, confesso, ir logo para casa,
encontrar Carlota, a cozinheira, viva, diante do meu pé, e dizer a ela:
Levantaaaa
Me
serve um caféééé
Que
o mundo (ainda) não acabou!
_________________
(*) Luiz Carlos Vaz é
Jornalista, Fotógrafo, Escritor e Editor deste Blog
Nenhum comentário:
Postar um comentário