21 de junho de 2024

O Menino Maluquinho



Luiz Carlos Vaz (*)

Meus filhos sempre souberam que os livros faziam parte da “cesta básica” lá de casa. E não eram apenas os livros didáticos, eram os dicionários, as enciclopédias (o Dr. Google da época) ou os títulos relacionados pela Escola.

Conviveram amplamente com livros dos adultos e, também, com a literatura infantojuvenil. Livros como Marcelo, Marmelo, Martelo, da Ruth Rocha encantavam a todos. E, claro, Ziraldo, com seu Menino Maluquinho era o mais disputado. Certa vez, aqui em Pelotas, nos anos noventa, acompanhei o Schlee (nessas horas sempre era o Schlee, né?) numa recepção ao Ziraldo, no Restaurante Bavária - pois eram amigos desde os tempos do Correio da Manhã, no Rio de Janeiro. Ziraldo estava por aqui para uma atividade acadêmica promovida pela UFPel.

Dei de mão em todos os livros dele que tínhamos em casa e pedi autógrafo para todas as crianças... e o Maluquinho, claro, foi autografado para o “menino mais velho”, o Bernardo, que me mandou há pouco essas imagens. Mas todos eles - Santhiago, Juliana, Carolina, Marcelo... já estão procurando os seus livros autografados pelo Ziraldo e depois eu posto as imagens.




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(*) Luiz Carlos Vaz é Jornalista, Fotógrafo, Escritor e Editor deste Blog


9 de junho de 2024

Em agosto nos vemos / En agosto nos vemos

 Luiz Carlos Vaz (*)

Foto Arthur Felippe Vaz


Em agosto nos vemos

  Não precisei esperar, como Florentino, cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias... o pessoal do Jeff me entregou há pouco o livro póstumo do GGM, "Em agosto nos vemos". Peço licença para me dedicar à leitura do livro. Já conversei com o Itamar e o Jeferson, pois já havia avisado que quando o livro chegasse, ele seria a prioridade. E, quanto a vocês... não me cobrem nada por esses dias, mas eu prometo que antes de agosto nos vemos.

6 de março de 2024

 

 

Foto Arthur Felippe Vaz

En agosto nos vemos

  Dia 6 de março deste ano postei minha foto, que nem pinto no lixo, lendo a edição em português de “Em agosto nos vemos”, a tão falada, comentada e esperada obra póstuma de GGM. Havia garantido a compra na pré venda, ainda no mês de fevereiro. E, como diria Jorge Ben, “Ela vem chegando/ E feliz vou esperando/ A espera é difícil/ Mas eu espero sonhando...” Quando chegou eu li, sonhei, me encantei e publiquei minha aventura para vocês.

  Fiquei desejando muito ler o texto original, em espanhol, até porque tenho procurado completar minha coleção da obra de Gabriel García Márquez com edições na língua em que o autor as escreveu. Claro que as traduções de Eric Nepomuceno são irretocáveis, pero como soy de la frontera, hablo y escribo español razonablemente bien.


Parte da minha coleção ainda sem o "En agosto..."

  Pois um dia desses soube que a amiga Maria Fernanda, de Jaguarão, estava indo a Montevideo... bah! não deu outra, pedi que me comprasse o livro no Uruguai... Ela aceitou a missão e ainda del otro lado del río, me mandou uma mensagem dizendo “já comprei o teu livro!”.

  Mas aí veio a enchente e as complicações que esta trazia junto... e, como cantava o Tim, “Mas quem sofre sempre tem que procurar/ Pelo menos vir achar/ Razão para viver...”

  Só precisou as águas baixarem, o vento acalmar, e uma carona apareceu, solícita, para traer aquí la edición en español de En agosto nos vemos. Aí, foi só chamar o Arthur e refazer o retrato, com tons absolutamente outonais e com a (quase) mesma pose.

  Achem agora os sete erros enquanto vou a la isla en el transpordador de las tres da tarde para... (sem spoiler, né?)


 8 de junho de 2014
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(*) Luiz Carlos Vaz é Jornalista, Fotógrafo, Escritor e Editor deste Blog

24 de maio de 2024

Águas de Maio

 



Jorge Santos (*)

 

A solidão é como as águas de maio

A gente sabe que vem

E bem devagarinho

Ela ocupa todos os espaços

Até nos deixar isolados

Refletindo sobre a nossa pequenez.

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(*) Escritor, poeta, piadista, esquerdista.

Foto: Luiz Carlos Vaz

19 de maio de 2024

De negacionismo em negacionismo vamos naufragando

 

Pelotas, Doquinhas; local conhecido hoje  como "Quadrado" - Foto LCVaz



Luiz Carlos Vaz (*)

            "O Jornalismo é uma Veuve Clicquot". Tá... é uma cachaça!

    Há vários dias meus colegas de profissão, professores, alunos e ex-alunos, me pedem opiniões, manifestações sobre essa nova catástrofe anunciada... enfim, querem saber até se estou com os pés secos. Estou "seco" (ufa!) e a minha 300 mm também. Então fui às ruas de Pelotas e bati uns retratos. Encontrei muitas pessoas amigas nessa caminhada...

    É ruim fazer esse tipo de imagens; mas é preciso registrar, mostrar, ajudar a denunciar o negacionismo climático. Não haverá mais mundo - pelo menos esse que conhecemos hoje, se todos nós - atingidos ou não diretamente pelas cheias, não mudarmos o nosso comportamento.

    Ninguém pode estar feliz somente por estar com os pés secos. É só olhar na volta. É muita tristeza... Chega de ufanismo, de falsos heróis e de façanhas que só causam vergonha.

    Basta de querer ser modelo para todo o planeta.

    Há muita gente que já acordou mundo afora.

    Nem os cavalos mais têm paz.

    Deu!

Clube Náutico Gaúcho e Rua Tamandaré, na região do Porto - Foto LCVaz

Rua João Pessoa, na região do Porto - Foto LCV


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(*) Luiz Carlos Vaz é Jornalista, Fotógrafo, Escritor e Editor deste Blog

10 de maio de 2024

Cavalo Caramelo

 



Athos Ronaldo Miralha da Cunha (*)

A palavra distopia estava somente nas orelhas dos livros de ficção. Mas em maio deste ano vemos a realidade de um mundo distópico aqui nas plagas do Sul. E custamos acreditar que esteja acontecendo. O caos se instalou no Rio Grande e sobrou uma única opção: resistência.

Resistiremos de todas as maneiras e formas porque precisamos sobreviver. Nós somos sobreviventes da pandemia, sobrevivemos a tentativa de golpe e a falta de humanidade no auge da Covid19. O povo brasileiro e agora, especificamente, o gaúcho, traz esta garra de resistência e sobrevivência.

Os gaúchos estão resistindo, bravamente, as consequências do aquecimento global. Estamos resistindo porque temos que reconstruir o estado. Reconstruir nossas vidas e seguir “tocando em frente” dentro do possível. Renascer com a força dos Farroupilhas, dos Chimangos, Maragatos e dos caudilhos nas cavalarias e nas peleias nas revoluções. Hoje, somos todos centauros nas coxilhas.

Os nossos pais e avós resistiram às águas de 41. E são tantas as lembranças em P&B nos antigos álbuns de fotografias. Naqueles tempos não se falava em negacionismo climático, mas as águas de 41 voltaram em 24 e com mais ganas de ocupação, amparadas neste negacionismo.

E o símbolo da resistência das águas revoltosas de 2024 é justamente um cavalo. Carinhosamente batizado Caramelo.

Ele permaneceu no telhado de uma casa em Canoas, lutando para sobreviver diante das implacáveis águas que subiam sem dar um “Ó de casa”. A coragem do Caramelo rodou o mundo. E foi uma torcida muito grande para o seu resgate.

O Caramelo permaneceu no alto daquela estranha coxilha de duas águas de Brasilit. Estranha aquela Pampa totalmente encharcada de águas turvas.

E o Caramelo lá em cima do telhado, quatro dias de resistência silenciosa. Imóvel... Impávido... resistiria até o último suspiro.

Então, os heróis desta tragédia climática entram em ação. O Corpo de Bombeiros de São Paulo assumiu a missão de salvar o cavalinho e a expedição Caramelo foi um tremendo sucesso.

O resgate de Caramelo é um lembrete da resiliência da vida em meio à adversidade. Enquanto as águas subiam, ele permaneceu firme, aguardando a ajuda que finalmente chegou. Um cavalo no telhado nos faz lembrar da importância de solidariedade e compaixão em situações adversas. Caramelo sobreviveu e tocou nossos corações com sua força e determinação.

Caramelo, o cavalo símbolo da luta pela vida em meio ao caos de um mundo distópico. Símbolo da resistência para seguir na jornada por este Rio Grande de São Pedro.

Vai Caramelo.

“Rasgando a coxilha ao meio, mordendo o vento na cara”. [*]

[*] Versos de Potro sem dono – de Paulo Portela Fagundes.

 

(*) Athos Ronaldo, que é um santamariense por adoção, é um filho de ferroviário que nasceu em Santiago e estudou engenharia na UFSM. Foi funcionário da "Caixa", participou de algumas antologias, publicou vários livros de contos e já recebeu vários prêmios literários com eles. Esta crônica, o Zapzap das flores, está no recente Em prosa e verso, volume XIII, da Academia Santamariense de Letras. Athos, um colorado convicto, também está presente no livro de crônicas O gol iluminado, publicado em 2009.

26 de fevereiro de 2024

"No creo en brujas, pero que las hay, las hay!"

                                                                                          Miguel de Cervantes Saavedra

 

Fotos por Renata Lobato Schlee


Luiz carlos Vaz (**) 

¡Yo tampoco!

 

Pero... em certos momentos parece que elas estão por toda a parte; na nossa alma, dentro da nossa cabeça, diante dos nossos olhos... que temos que concordar com Alonso Quijano... Elas existem!

Mas, não há o que temer! As Bruxas, ao contrário do que nos contaram os homens, não são más, não matam velhinhas nem tampouco comem criancinhas, isso quem faz são os... (“para, Vaz!” sopra uma delas aqui ao meu ouvido! “Volta ao tema, ela sussurra...” Tá, concordo eu, mas... posso escrever só mais uma frase? “Uma só? Pode!”) ...Nos ensinaram que era preciso queimar as mulheres “más”, as bruxas, na fogueira... mas não nos disseram um “ai” que fosse, sobre as igrejas e as religiões que faziam ou mandavam fazer isso! Pronto, falei! (Ou escrevi?)

Voltando... Minha Mãe era uma Bruxa! Sabia de simpatias e rezas, de benzeduras, tapava os espelhos e fazia cruz de sal nos dias de mau tempo para cortar as tormentas... Mas, claro, não chegou a ser queimada na fogueira, pois já nasceu no século XX. Ufa! Graças a isso mamei até os quatro anos; depois sempre tive um bom café com leite pela manhã ainda na cama, roupa limpa e planchada com ferro de brasa; ela sempre dava ideias ótimas para o primeiro parágrafo das minhas redações do colégio, ministrava bons conselhos e era minha advogada de plantão, pronta para me defender na Escola sempre que eu tivesse razão. Claro, ela dizia que, além de ser o mais bonito do colégio, eu sempre tinha razão! (*)

Costureira de mão cheia, ela bordava, fazia tricô, crochê e construía, diante de meus olhos, as colchas de retalhos mais lindas que eu já vi. Nada programado, ensaiado, pré-desenhado... Ela ia cortando os retalhos, costurando aleatoriamente, e num passe de mágica (ou bruxaria?) surgiam colchas dignas de ser assinadas por Mondrian.

Pois outro dia a Renata me mandou uma foto onde aparecia, sobre uma cadeira, uma colcha de retalhos; não de retalhos de tecido, mas de quadros de crochê! Fiquei maravilhado e pedi a ela que fizesse, lá fora mesmo, lá naquele paraíso, uma foto dos meus livros sobre a colcha... e pedi, claro, o nome da autora da obra de arte...

Pois não é que recebi há pouco a foto? E mais, fiquei sabendo que a autora da colcha, a avó dela, dona Jacy Dias Lobato, era de Cacimbinhas... do mesmo chão da Minha Mãe! Imagino que vó Jacy, claro, devia ser também uma Bruxa!

 É muita bruxaria junta para um homem só! Por isso eu afirmo:

 ¡Yo creo en brujas, por que ellas hay!

 

(*) Comentários invejosos ou gracinhas serão encaminhados direto para a próxima Assembleia Geral das Bruxas de Cacimbinhas!

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(**) Luiz Carlos Vaz é Escritor, Jornalista, Fotógrafo e Editor deste Blog

17 de fevereiro de 2024

Três obras do Vaz

 

Iustração fotográfica por Athos Ronaldo


Athos Ronaldo Miralha da Cunha  (*)

Recebi três livros de Luiz Carlos Vaz. Três belas coletâneas de crônicas, que faço um breve comentário abaixo.

NOTÍCIAS DO SCHLEE

Esse foi o primeiro que li, pois o título pede a leitura imediata. E sei que o Vaz é muito próximo de seus familiares e foi um dileto amigo de Schlee de longa data.

São nestas crônicas que aprendemos um pouco mais sobre o escritor. As chamadas lembranças vivas e afetivas. Aqui identifiquei uma grata satisfação ao ser citado em uma das crônicas – na página 43 –, que me deixou com um olhar 43...

Não farei a réplica, não há necessidade sempre fui seduzido pela obra do Schlee que, infelizmente, não conheci pessoalmente. Mas cumpri a incumbência de trazer um jornal para ele de uma viagem que fiz. Aliás, solicitação que muito me honrou.

São estas as boas lembranças de um escritor e seu legado literário. Notícias do Schlee são sempre bem-vindas.

A TAÇA DO MUNDO É NOSSA! 

O livro é, literalmente, um passeio pelas copas do mundo de futebol.  Desde 1930, o início, passando pelo fantasma de 50, que ainda nos assombra.

O começo da camisa canarinho bolada pelo Schlee e o sumiço da taça Julies Rimet. Ainda temos a laranja mecania... la mano de Dios. Etc... etc...

São inúmeras as situações que vivenciamos nas copas e nos causaram de alguma forma emoções. Tristes ou alegres. Mas a citação do gol de Valdomiro Vaz Franco – será que é parente do autor? – contra o Zaire na copa de 1974, me deixou reflexivo: meu sonho de guri era ser ponta-direita do Internacional. E o Valdomiro foi um dos poucos ídolos que deixei lá na década de 70. 

E chegamos no 7 x 1 e tem muito mais, vale a pena entrar em campo.

MEMÓRIAS DE UM MAU TEMPO

Neste exemplar temos crônicas do período pandêmico, mas não necessariamente sobre a doença.

Já começo identificando mais uma citação, agora avancei uma casa estou na página 44, mas ainda permaneço com o olhar 43.

Vaz escreveu muito nesse período de mau tempo. Viu muitos filmes e leu em demasia.

A apresentação é do Pedro Hallal, aquele senhorzinho que enaltecia a ciência nas entrevistas e batia seguidamente nos “cloroquinófilos” para desespero da turma do capitão.

Aliás, foi um período de muita contestação sobre a ciência e inclusive sobre a forma da Terra. Vá entender. (sic)

Em alguma das crônicas nos identificaremos pela situação vivenciada no confinamento.

Claro, alguma coisa sobre Bagé sempre tem. E muito mais o leque de assuntos é abrangente.

Ah! O Vaz mente muito, mas sempre mostra as provas.

O livro já vem vacinado contra a ignorância. Leia sem moderação.

Esses são os três últimos filhos literários do Vaz.

A propósito: Filhos... Filhos? Melhor não tê-los.

Mas se não temos! Como sabê-los? [Vinícius de Moraes]
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(*) Athos Ronaldo Miralha da Cunha por ele mesmo: 

“Engenheiro Civil, aposentado da Caixa; cometo crônicas, contos e outras coisas sem importância.”

12 de fevereiro de 2024

Meu mundo caiu

 


Luiz Carlos Vaz  

  Herdei de minha Mãe a incapacidade de decorar as letras das músicas! Mas foi Ela também que me ensinou a improvisar; nada de ir fazendo o clássico “na na na”, mas ir colocando suas próprias palavras nas melodias, que também eram, imagino eu, seus próprios sentimentos, que estavam ali, sendo cantados pela Maysa, Dalva de Oliveira ou pelo Nelson Gonçalves.

  E quando eu não sabia, por exemplo, o que significava “Doidivana, quem me calunia, não sabe agonia que eu passo e passei” eu perguntava... Daí ela se esforçava para explicar para o seu caçula, de seis ou sete anos, a força de todo aquele sentimento contidos nos versos de Adelino Moreira.

  E assim eu fui conhecendo a música brasileira (*). Fui sendo apresentado a várias situações como: “é melhor brigar juntos do que chorar separados”;  “Meu mundo caiu E me fez ficar assim Você conseguiu E agora diz que tem pena de mim...”; “Sofri, mas mesmo assim eu fui feliz, chorei e bendisse a minha dor...”

  Muito antes de estudar anatomia ou conhecer o Superman, fiquei sabendo que havia dentro do nosso corpo uma coisa chamada “nervos”, que poderiam ser comparados ao aço (que eu também não sabia o que era...) “Há pessoas de nervos de aço Sem sangue nas veias e sem coração Mas não sei se passando o que eu passo Talvez não lhe venha qualquer reação...”

  Não faço ideia de quem seja “o Adelino Moreira dessa geração”, o Cartola, o Pixinguinha, o Nelson Cavaquinho, o Chico, o Milton... Mas, cá para nós, “bundinha” (recorrente em quase todas as letras atuais), qualquer criança quando começa a falar já sabe o que é, e não precisa perguntar prá ninguém...

  Já eu, que sou antigo, prefiro escutar mil vezes, bem baixinho, sem bate estaca, coisas como:

Prefiro então partir

A tempo de poder

A gente se desvencilhar da gente

Depois de te perder

Te encontro, com certeza

Talvez num tempo da delicadeza

Onde não diremos nada

Nada aconteceu

Apenas seguirei, como encantado

Ao lado teu

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E eu aqui, escrevendo isso em pleno Carnaval...
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(*) Porém, quando se tratava de tangos, aí era a vez de meu Pai - que gostava de corrida de cavalos – explicar uma vitória ou uma derrota “Por una cabeza” mas não de um petiço qualquer, como os la de casa..., mas “de un noble potrillo Que justo en la raya, afloja al llegar Y que al regresar, parece decir No olvides, hermano Vos sabes, no hay que jugar...”
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Luiz Carlos Vaz, é jornalista, fotógrafo e escritor. É também o editor deste Blog


16 de novembro de 2023

Rossetto e Abel

 

No La Vita è Bella, casa italiana em Porto Alegre (*)

Oi Luiz Carlos...

No dia da República (uma disputa permanente...) terminei "A História de Abel". Que delícia, que texto maravilhoso este teu... Enxerguei a Rua das Laranjeiras, que não tem uma... Somos sim, em grande medida, as lembranças que nossa memória escolheu guardar... A leitura me jogou para minha infância, o Pedrinho, meu colégio estadual e tantas outras histórias... Obrigado Luiz Carlos... e parabéns.

Abraço grande.

Miguel Rossetto

(*) foto no evento Primavera dos Escritores, Edições Ardotempo, Porto Alegre

14 de outubro de 2023

Te vira nos 90 (ou... nos 11?)

 

Foto Luiz Carlos Vaz

Luiz Carlos Vaz

    Estou me virando, já aos 8 minutos da prorrogação do segundo tempo, para terminar dois livros novos (*) que pretendo lançar ainda em novembro - e justo nas sessões de autógrafos da 49ª Feira do Livro deste ano, onde eles já estão inscritos... Haja VAR e - Árbitros, para segurar esse jogo! No banco estão outros seis livros aguardando o chamado para entrar em campo; mas esses são “jogadores estrangeiros”, que não foram inscritos a tempo...

    A Rogeane me perguntará: Mas em que mundo tu vive, professor Vaz? Ora, me ajudará na resposta Fernando Pessoa: filha, a Pátria dele é a Língua Portuguesa... Até porque estou às voltas com um Futuro Ancestral, como fala o Krenak, que talvez seja uma Dança no alto da chama, certo, Mariana? Ou será uma Canção para ninar menino grande, como diz Conceição Evaristo? Até porque Uma pedra é uma pedra, e para virar poesia precisa de várias pedras/estrofes, como diz a Carmem.

    Só meus primos Luiz Vaz de Camões e Pero Vaz de Caminha podem me ajudar, enquanto diz o narrador: “Vamos lá, pode ser o último lance desta partida...” (será uma decisão nos pênaltis, Aquino?).

(*) os livros: 

    1 - “Notícias do Schlee”. Crônicas e fotografias inéditas que contam e recontam um pouco do meu convívio, por mais de 40 anos, com a familia Schlee; o livro tem a apresentação de Aldyr Rosenthal Schlee;

    2 - “Memórias de um mau tempo”. Crônicas escritas durante a Quarentena da Pandemia Covid19, sob o ponto de vista de quem ficou isolado do resto do mundo e do convívio com os amigos e familiares. Esse, tem prefácio do Dr. Pedro Curi Hallal, atualmente residindo e trabalhando em Chicago.

    Olha lá...! O árbitro consultou o VAR e acrescentou mais TRÊS MINUTOS! É agora! Passa essa bola para dentro da área, tchê!

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Luiz Carlos Vaz é Jornalista, Fotógrafo, Escritor e Editor deste Blog

10 de outubro de 2023

Codinome Beija-Flor

 

Codinome Beija-Flor

Cazuza

 

Foto Luiz Carlos Vaz

Pra que mentir

Fingir que perdoou

Tentar ficar amigos sem rancor

A emoção acabou

Que coincidente é o amor

A nossa música nunca mais tocou

 

Pra que usar de tanta educação

Pra destilar terceiras intenções

Desperdiçando o meu mel

Devagarinho, flor em flor

Entre os meus inimigos, beija-flor

 

Eu protegi teu nome por amor

Em um codinome, Beija-flor

Não responda nunca, meu amor (nunca)

Pra qualquer um na rua, Beija-flor

 

Que só eu que poderia

Dentro da tua orelha fria

Dizer segredos de liquidificador

 

Você sonhava acordado

Um jeito de não sentir dor

Prendia o choro e aguava o bom do amor

Foto Luiz Carlos Vaz


18 de setembro de 2023

A Verdade vos libertará

 

Foto Luiz Carlos Vaz


A Verdade vos libertará, Gabriela Biló, 2023.

Ah! João já tinha dito isso há mais tempo também... mas ninguém lê, e se lê, não entende... Mas para vocês, minhas amigas e amigos, tenho certeza que não preciso explicar essa fotografia que fiz agora. A verdade já nos libertou, há horas...

12 de agosto de 2023

Ciranda Cirandinha - ou... quem não assistiu e chorou que atire a primeira pedra.

 



Luiz Carlos Vaz

 

Em 1978 eu já era pai de dois guris quando, emocionado, assisti o episódio de Ciranda Cirandinha - intitulado Toma que o filho é teu, com o Bernardo no colo.

Como tudo que é bom não dura para sempre, ou tem hora marcada para terminar, a televisão tinha cansado (e nos cansado) de apresentar - e reprisar inúmeras vezes, os episódios de Combate, Os Waltons, A ilha da Fantasia, Marcos Welby-médico... e outros enlatados, e partira para as produções nacionais.

“Séries nacionais” como Malu Mulher, Plantão de Polícia, A Grande Família, Aplauso, Carga Pesada e outras que não lembro, mostravam a vida brasileira, sem os cacoetes dos gringos. Eram séries com temas que poderiam ter acontecido na nossa cidade, na nossa rua ou dentro das nossas casas. Era a família brasileira protagonizando emoções em série - em séries, diferente das novelas, que duravam  muito, eram apresentadas de segunda às sextas, e não tinham uma história exatamente definida, pois obedeciam às tendências do Ibope, e já não eram novidade desde O Direito de Nascer...

Ciranda Cirandinha foi uma dessas séries. Era apresentada no horário nobre dos adultos, às 10 da noite. Foi escrita por Paulo Mendes Campos, dirigida por Daniel Filho e teve apenas sete capítulos. Mas sete capítulos que encantaram  jovens e adultos. Foi ao ar em 1978, entre 26 de abril de 1978 e 11 de outubro.

Esse episódio – Toma que o filho é teu, virou Cult, e creio, é muito apropriado para ser assistido hoje, no Dia dos Pais. Vou rever como se fosse a primeira vez, mas não vou chorar, agora será a vez “deles” chorarem...

30 de julho de 2023

Abra o livro!

Fotografia pelo autor

 

Eduardo Silveira de Menezes (*)

Projete sua sombra à luz da reflexão de outra pessoa; outros tempos, outras concepções sobre o mundo!

Abrir o livro é como abrir uma janela para que o sol possa penetrar na escuridão de onde vivemos.

Nem sempre a luz será agradável aos olhos. A mesma luz que ilumina também pode ferir a visão, pode queimar a pele. Mas, ainda assim, sua razão de ser é iluminar.

A luz não nega as trevas. Pelo contrário. A luz reconhece a escuridão e vive para ela, como uma mãe e uma filha.

Toda luz é vida. Mas ao "dar a luz" uma mãe dá ao seu filho a oportunidade de experimentar algo que nem ela tem a possibilidade de prever. Porque vida é prazer, mas, antes de tudo, é dor. Nascer desacomoda, nos faz chorar, nos vira de cabeça para baixo antes de dizer que estamos preparados. E leva tempo para que possamos dar os primeiros passos sozinhos.

A dor se manifesta já com o ato de iluminar a vida para que outra pessoa possa existir, do seu modo. Então, a mesma luminosidade que resgata da escuridão também "lança luz" na incerteza.

Ler é uma possibilidade de se defrontar com a incerteza da vida. Não só das nossas vidas. Mas de muitas outras vidas. É ter coragem de se "encontrar com a luz", ainda sem saber ao certo como ela irá se manifestar em nós.

Literatura é vida em movimento. É a indignação perante o obscurantismo da nossa falta de conhecimento e o antídoto contra a prepotência do "aprendizado dinâmico". É o reconhecimento de que somos ignorantes perante o que é, de fato, a vida; a que propósito ela serve, se é que serve a propósito algum.

Se não posso buscar o conhecimento na presença da sua fonte original de luz, posso, ao menos, acender uma tocha que ilumina meus passos na direção que eu escolho para ir adiante. Mas também posso parar e retroceder. Posso me demorar em um espaço que se iluminou, pela primeira vez, mas que antes era desconhecido porque não o havia iluminado.

Entre a luz e a escuridão eu posso o mesmo que entre a vida e a morte. Não calculei o início, não posso prever o fim. Mas posso manter o livro aberto, folhear suas páginas, preservar a vida que naquelas folhas se eterniza, à luz do conhecimento. E quem sabe, um dia, iluminar também.

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(*) Doutor em Letras pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel), com pesquisa aplicada às teorias do jornalismo. Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), com ênfase em Economia Política da Comunicação. Leitor compulsivo, hoje mantém o canal do YouTube Sujeito Literário.

28 de julho de 2023

Quando o Avô se tornou um Fusca

Aquarela da autora

 

Flávia Maria Schlee (*)

 

Pai, mãe e duas gurias em torno de quatro anos. Família pacata com uma casa que tinha um pátio e, nele, apenas um coqueiro. Seus frutos eram coquinhos cabeçudos, saborosos e fáceis de carregar. Eles despertavam apetites não só de comer, mas também de posse.

Um dia, apenas uma das gurias conseguiu apanhar uma quantidade bem grande de coquinhos cabeçudos. Dona Inveja apareceu, então, com um punhado de terra. Um punhado que nada teria de estranho se não tivesse sido jogado no rosto da pequena conquistadora.

            Até aí, o que teria sido apenas uma desavença comum à infância, mudou um destino. A pedra pousou dentro do ouvido da pequena que, de conquistadora, virou vítima! O Vô, que vivia sossegado em suas viagens de poltrona, foi convocado a prestar socorro e decidiu prontamente os procedimentos. O Ford 57 seria a peça chave da operação “pedra no ouvido” junto com muitos chicletes e um travesseiro. A menina, agora elevada ao centro das atenções, ouviu também que o pai ia guiar o auto pela estrada velha que ligava a pequena São Lourenço a grande Pelotas.  Até aí, nada parecia especial para a guria. A poeirada e os infinitos buracos ela já conhecia. Tudo bem com a poeira e os buracos, ela ia fazer a viagem olhando a vista.

Porém esse não era o socorro planejado. Ela e sua pedra no ouvido, deveriam fazer o percurso de auto (automóvel), pelos piores buracos. Quando soube que iria deitada no colo do seu vô, com seu travesseiro de penas e mascando chicletes desejou sinceramente que a pedra, tão bem alojada em seu ouvido, jamais quisesse sair de seu pouso. Nunca havia sentido tamanha segurança de um pai guiando e um vô cuidando!

Ainda que não possamos calcular o tempo preciso, em um determinado momento a guria teve que abandonar a plenitude de ser tão especialmente tratada e reconhecida. A pedra saiu em obediência aos trancos e barrancos do Ford 57 na velha estrada. Um cascalho se juntou a outros e o grande feito tomou seu tamanho diante da própria vida costumeira. Só a guria ficou com o sentimento da lembrança!

Assim, a menina vitimada pela inveja e salva pelo vô, confirmara o grande orgulho que sentia por ele e suas incríveis soluções. A vida continuava sem grandes malabarismos e sem a pedra que fora tão preciosa por tão pouco tempo, segundo os “espectadores sempre julgando de fora”. Eis que um belo dia, o Ford 57 foi trocado por um Fusca e, talvez por ironia, a tal troca aconteceu justo com a morte do Vô.

Diziam para ela que agora seu Vô se transformara em uma estrela. Mas, para ela, essa imagem de um avô como estrelinha no céu era uma bobagem! Como assim apenas uma estrelinha (?) martelava a menina. De tanto martelar um dia ela ouviu uma voz de pedra preciosa. Como um brilhante fragmento ela lhe segredou que com o Fusca não haveria jamais espaço suficiente para a grandeza de seu Vô e muito menos para ela se espichar no seu colo. Sim, era bem verdade! Então a menina teve que aceitar a troca e decifrou o enigma dos tamanhos e seus espaços. Talvez com o Ford 57 houvesse ainda uma obediência de tamanho em que cabiam avô e neta. Mas com o Fusca isso já não teria cabimento! Em um Fusca, meu vô não vai caber comigo!

Com espanto e dor, a menina compreendeu naquele momento que, de fato, agora ela deveria se preocupar muito e cada vez mais com tudo aquilo que vivesse de tamanhos. O que fazer, se ela ouvia seu vô pedir socorro para não ficar apenas como mais uma “pequena” estrela no céu (?). Foi assim que, por artifícios que seu vô havia lhe ensinado, transformou-o em um Fusca!  Em meu vô Fusca, murmurava a guria, qualquer tamanho poderia entrar, qualquer estrada seria a “nossa” e ele ainda saberia tudo que fosse “de ouvido”. Tal era a garantia de um Vô Fusca para mim. Ele sempre soube que meu coqueiro era um butiazeiro e com ele aprendi também a praguejar, com doçura, que meus ouvidos não eram ser pinico e que havia pedras que fechavam para sempre os ouvidos dos cabeças duras e invejosos e que água mole em pedra dura tanto bate até que fura e etc.

Porém, eu que só agora posso falar, não podia imaginar que um Fusca pudesse sair de linha, que o lugar de quem morre estaria na memória e que a imortalidade só pode se alojar em seres vivos que são capazes de olhar para o céu e se comunicar. Eu juro por todos os avôs e avós, se deste modo me permitirem, que os sonhos estão sempre em aberto.

Os Fuscas eram sim estrelas!

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(*) Flávia Maria Schlee nasceu em Pelotas, morou quando criança em São Lourenço do Sul, e reside atualmente no Rio de Janeiro. É graduada em História pela PUC/RJ, fez Mestrado em História pela Universidade Federal Fluminense e Doutorado em Letras pela PUC/RJ. É professora do Departamento de História da PUC/RJ. Tem experiência na área de História, com ênfase em História Antiga e Medieval, atuando nos temas de Literatura, Literatura Antiga e Medieval, História, ensino de História, Heródoto, Homero e Tucídedes.

23 de julho de 2023

A Nenhuma chamarás Aldebarã

 

Constelação de Touro


Rubem Braga

Eu vinha de não sei que tristes sonhos, nefastos pesadelos. Despertei, ansiado, no meio da noite, e olhando a escura parede senti que as imagens torvas que me povoavam os olhos ainda tontos ali vagamente se moviam. Voltei-me, então, sobre o meu flanco direito; a janela estava aberta para a noite. Era uma noite sem lua, que ciciava em árvores e murmurava em águas humildes; e uma grande estrela brilhava.

Haveria outras, esparsas e pequenas, mas aquela era tão grande e cintilava com uma estranha palpitação; era tão distante, mas brilhava tão perto e tão para mim como se fosse uma lanterna que mão amiga houvesse pendurado em minha janela para me dar alento no fundo da treva. Eu vagara tanto pelo mundo que, ao despertar, não sabia em que leito, casa, país e tempo; e mesmo tinha de recompor minha ideia para lembrar se era feliz ou infeliz. Apenas senti que estava agora voltado para o norte, e do fundo de meu coração saudei a estrela com a palavra que me veio aos lábios: Aldebarã!




Lera essa palavra em velhos, cansados livros que falam de astros e mistérios do céu; mas somente agora percebia que era uma palavra mística, feita de muitas outras, querendo dizer, em antigas secretas línguas: a Nova Esperança, a Alegria Amiga, o Esquecimento das Mágoas, a Alegria da Noite.

Aldebarã, Aldebarã! – disse eu, com estranho ardor; e foi como se a sua palpitação se fizesse mais fremente e pura. Então uma voz suave me disse, e era como se a minha melancólica mãe ou, ainda mais distante, a minha irmã e madrinha me passasse a mão pelos cabelos. “Descansa, dorme em paz, Aldebarã é tua amiga; e como soubeste dizer seu nome ela é para sempre tua amiga; dorme em paz, homem da noite solitária e cruel e dos fatigados, tristes pesadelos; dorme. E se amanhã, na tua inquieta fantasia, quiseres dar esse nome a lago que ames, podes dá-lo sem remorso à égua fidalga que no galope deixa que o luar lhe beije as negras crinas, ou à mais bela flor no pélago marinho; e até podes chamar Aldebarã a uma nuvem que se doira no momento em que o céu, para o ocidente, já toma a cor da triste violeta; mas promete que nunca darás esse nome, nunca, a nenhuma filha dos homens, por mais ansioso te faça a sua beleza peregrina”.

Eu disse apenas, humilde: “Prometo”. E então pela primeira vez em muitos e muitos anos de longas noites, eu pude adormecer sorrindo, porque meu coração era puro como o de um menino.



20 de abril de 2023

LUIZ CARLOS VAZ TRAZ SUAS MEMÓRIAS

 



ADELI SELL

Luiz Carlos Vaz mora em Pelotas. Nasceu em Hulha Negra, passou sua infância e adolescência em Bagé. Jornalista, fotógrafo e especialista em temas de patrimônio histórico. O autor qualifica seu livro como "Memórias";  são crônicas que perpassam sua vida até sair de Bagé. 

É incrível como temos poucos cronistas memorialistas como Vaz. Imaginem se Porto Alegre não tivesse tido Coruja, Achyles Porto Alegre, Paulo de Gouvêa, Theodemiro Tostes? Quanta lacuna?

Vaz cobre uma parte disso, a começar pela nossa  fronteira. Ele se identifica com este traço fronteiriço, desde a crônica que dá título ao livro A História de Abel, como nas outras quando fala de algo simples como o jogo com Pelé, no Estádio em Bagé,  a ida de Roberto Carlos, pois parece algo simples, mas a cada linha fica marcado algo que havia e pode não haver mais, como é a  bica da menina de rua, bebendo água dela,  que ele fotografa, assim fica o registro, no papel copiado e na memória. 

O bom cronista é aquele que explora um acontecimento simples em algo a pensar, a lembrar, a refletir como o fato de se cortar com a navalha do pai. Vaz vai passando o que viveu e o que não viveu, mas está na recordação, pois a mãe recordou a ele isto ou aquilo, como os dois primeiros anos de vida em Hulha Negra.

Por isso, cita o grande Gabriel Garcia Marques: "A vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la". Isto mesmo. Talvez a síntese desta visão seja "A caixa de sapatos da vovó", pois os guardados ali podem estar esmaecidos, nas fotos tiradas há tempos, mas ficam ali, pois nos dias de vida digital somem assim que o HD encher. 

O livro do Vaz não é para resumir cada crônica, é para ser lido, passado adiante, servindo de incentivo a novos escritores. Para o Vaz eu diria que o próximo tem que ser algo sobre nossa querida Pelotas, pois esta em si já é uma crônica.

ADELI SELL é professor, escritor e bacharel em Direito.

3 de abril de 2023

Rumo ao Meio Milhão!

 


Luiz Carlos Vaz (*)

Neste ano de 2023, no dia 28 de novembro, nosso Blog vai comemorar 14 anos. O início se deu pela necessidade de criar “um grupo” de antigos alunos do Estadual que, desde o ano de 2007, buscavam promover um encontro da Velha Guarda. Nossa primeira incursão nas redes sociais se deu através do Orkut, num grupo criado por jovens alunos da nossa Escola, com um nome que ficou comum naquela rede, de “Eu passei pelo...” e se colocava o nome do colégio. O Eu passei pelo Carlos Kluwe, no nosso caso, ficou mais famoso após a colega Claudete criar um tópico na Comunidade com o título “Alguém da Velha guarda?”

Pronto, os vovôs e as vovós, ainda pouco acostumados com as “novas tecnologias”, socorreram-se de filhos, sobrinhos e netos para aderir ao Blog, que logo logo já possuía “mais de mil acessos de dez países!”




Passados alguns anos, surgiram com toda a força, novas redes sociais como o Facebook, e o  Twitter. O Orkut foi adquirido pelo criador do Facebook, que o desativou, ele não queria concorrência. Os Blogs foram perdendo a vez, multiplicaram-se os celulares com acesso à internet, surgiu o whatsapp, com todas as ferramentas possíveis, como grupos, e a maioria dos blogs perdeu a corrida nas “redes”.

Nosso Velha Guarda sentiu o baque, até que o Facebook passou a permitir a publicação de fotografias, vídeos e...  links para outras publicações. Voltamos a ter acessos a partir da postagem dos links no Facebook, onde para ler o conteúdo completos publicado no nosso VG, era preciso acessar o blog através do link.

Hoje me surpreendi com um número “redondo” – 449.000 acessos. Mas isso não é nada ao se constatar que os modernos youtubers, ou os “criadores de conteúdo” (conteúdo? Socorro!), e também aqueles chamados de formadores de opinião, e outras aberrações passageiras, como as notícias falsas, obtém em minutos milhares ou até milhões de acessos.



Vamos em frente, vamos buscar nosso meio milhão de acessos! Devagar e sempre! E com conteúdo!

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(*) Luiz Carlos Vaz é Jornalista, Fotógrafo, Escritor e Editor deste Blog